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5 mitos e verdades sobre mamografias e implante de silicone

Se você é mulher, provavelmente sabe da importância de realizar os exames de prevenção do câncer de mama regularmente. Mas se possui implantes de silicone na mama, é bem provável que tenha uma série de dúvidas sobre a influência deles nos resultados dos seus exames. O silicone mascara ou não o diagnóstico no momento da mamografia?

Já que o assunto desperta incertezas, o GE Reports Brasil aproveitou as discussões do Outubro Rosa para conversar sobre o assunto com a Dra. Silvia Sabino, médica radiologista do Departamento de Prevenção do Hospital de Câncer de Barretos e com a Marcia Chiarelli, paciente que está finalizando seu tratamento contra a doença.

Confira 5 mitos e verdades sobre a relação entre próteses e mamografias e tire suas dúvidas!

1) O implante de silicone pode ser um obstáculo ao diagnóstico do câncer de mama

DEPENDE. A Dra. Silvia Sabino esclarece que, “dependendo da localização do implante, ele pode gerar alguma limitação na avaliação da mamografia”. Mas, a médica ressalta que, felizmente, existem outras soluções que evitam o diagnóstico impreciso, “como fazer manobras especiais de deslocamento do implante, utilizar filtros de visualização presentes no mamógrafo, além da complementação do diagnóstico com outros exames, como a ultrassonografia e a ressonância magnética”.

Foi assim com a funcionária pública municipal de Barretos, Marcia Chiarelli. Ao notar a presença de caroços em uma das mamas, perto da axila, Marcia procurou um médico. Como ela não tem histórico de mulheres com câncer de mama na família e havia feito uma cirurgia plástica para implantar silicone nas mamas em 2013, de início, achou que a protuberância na mama pudesse ter relação com uma o implante. Logo, foi informada de que não havia nada de errado com o silicone e realizou os exames pedidos pelo médico. Na primeira ultrassonografia não foi detectada nenhuma alteração na mama. Só depois de realizar novos exames - outra ultrassonografia e a biópsia - é que a lesão foi identificada.

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2) A compressão durante a mamografia pode romper os implantes 

MITO. Para pacientes com implantes nas mamas, a compressão no mamógrafo costuma ser menos intensa do que a aplicada em pacientes que não usam implantes. Isso é feito, justamente, para não expor as pacientes a qualquer tipo de risco.

A diferença, no caso do implante, é que a mulher receberá oito compressões – quatro em cada mama – ao invés de quatro ‘apertos’, que é o convencional para mulheres que não utilizam prótese, como explica a Dra. Silvia Sabino.

 

3) Na colocação do implante , há uma posição que facilita a realização da mamografia. 

VERDADE. Há duas posições básicas de inserção do implante mamário: “atrás da glândula mamária – o chamado implante retroglandular – e atrás do músculo peitoral – a posição retromuscular”, esclarece a médica do Hospital de Câncer de Barretos. Quem define a posição do implante é o cirurgião plástico, pois depende da conformação, do tamanho da mama e do que se espera do resultado estético. “Do ponto de vista radiológico, os implantes colocados atrás do músculo peitoral são os que possibilitam melhor deslocamento posterior com exposição completa da glândula mamária para a realização da mamografia”, explica a Dra. Silvia.

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4) A imagem na mamografia aparece mais esbranquiçada após o implante de silicone

VERDADE. Na mamografia, a imagem da mama densa aparece esbranquiçada, o que pode mascarar a identificação de nódulos, visto que a coloração deles se assemelha ao aspecto do tecido mamário denso.

O silicone é um material radiologicamente denso. Por isso, a densidade global da mama pode aumentar, como explica a Dra. Silvia. Assim, a imagem gerada no exame pode ter características semelhantes à mamografia de mamas densas.

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5)Nas cirurgias de remoção do tumor, o implante também é retirado.

DEPENDE. Na maioria das vezes o implante é retirado, mas cada caso é um caso. “Isso depende da localização do tumor, mas via de regra o implante é retirado, pois o objetivo principal é resgatar a saúde da paciente. A estética, nesse momento, é secundária”, comenta a Dra. Silvia.

Marcia foi uma das pacientes que não precisou retirar seu implante. “No meu caso, precisei tirar apenas um quadrante da mama e fazer o esvaziamento axilar. Então, o implante foi mantido”, conta.

Para Marcia, o procedimento cirúrgico já passou, mas o tratamento do câncer de mama continua. Desde seu diagnóstico, na metade do ano de 2014, a funcionária pública tem realizado os exames periodicamente – como a ultrassonografia, a tomografia, a mamografia e a ressonância magnética – sempre com o acompanhamento dos mastologistas do Hospital de Câncer de Barretos. Ela já passou por sessões de quimioterapia e, agora, está finalizando o tratamento radioterápico para dizimar a doença.

“Mulheres, a prevenção é muito importante! Façam a mamografia e os exames com frequência e não tenham medo de enfrentar o diagnóstico e os procedimentos, pois a doença tem cura! E não esqueçam de buscar acompanhamento médico. Para os profissionais da saúde, o meu recado é que sempre orientem suas pacientes sobre a importância da prevenção, porque infelizmente ainda falta informação e orientação sobre a doença”, lembra Marcia.

 

Crédito: GE REPORTS